Até breve…


Infelizmente, esse é o segundo post que escrevo que faz parte dos posts que eu nunca gostaria de escrever. O primeiro foi quando falei da partida do Oliver… e agora, escrevo para falar da partida do Ja Rule.

A verdade é que o Ja Rule partiu no dia 30/07/15, vítima de um câncer que o atacou no baço e no fígado. Entre o dia que foi diagnosticado até quando faleceu, foram menos de 30 dias… Depois de uma luta intensa, cirurgia, transfusões e internações, tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida até hoje: autorizar a eutanásia. O que me conforta é que o Ja Rule teve a melhor assistência e o melhor tratamento que eu pude dar. Foi atendido por profissionais capacitados, com muito carinho e atenção, que me orientaram de forma clara, buscando sempre o equilíbrio entre o bem estar dele e as opções de tratamento.

Até hoje é muito difícil relembrar esses dias. Tem mais de vinte minutos que estou em frente ao computador e escrevi apenas esses dois parágrafos acima… Por isso, tem muito tempo que não escrevo aqui. O que me conforta é lembrar dos ótimos momentos que tivemos juntos durante esses quase 12 anos de convívio. O Ja Rule foi um cão muito especial, com um temperamento muito dócil e carinhoso. Além disso, era um Golden que sabia como aproveitar a vida, sempre com seu jeito tranquilo e meio bonachão. Adorava os passeios de carro, com a cabeça para fora da janela e as orelhas ao vento. Nunca foi muito de atividades físicas, gostava de brincar de bolinha mas logo estava satisfeito o suficiente para tirar um longo cochilo. E para conseguir algo, seja um cafuné ou um petisco, ele não latia, não abanava o rabo, nada disso… ele simplesmente resmungava! Isso era a marca registrada dele!

A saudade é muito grande! E se há algo que eu gostaria muito que acontecesse é que a gente pudesse se encontrar novamente algum dia…

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Dermatites e Outros Problemas de Pele


O que são dermatites e como podemos detectá-las?
Uma dermatite é uma condição que envolve uma área de pele que se tornou inflamada e infectada. A pele afetada muitas vezes aparece como um inchaço, área úmida, avermelhada e que é dolorosa e causa muita coceira para o cão. A perda de pelos também pode ser vista. Geralmente, o cão ira lamber e coçar continuamente a área afetada, fazendo com que surjam feridas e sangramentos na pele.

O que fazer e como prevenir?
Tudo o que provoca comichão na pele pode conduzir ao desenvolvimento de dermatites nos cães. Alguns gatilhos comuns são atopia (alergias a coisas no ambiente, tais como gramíneas, árvores, ervas daninhas, ácaros, etc), alergias alimentares, pulgas, ácaros, picadas de insetos e feridas na pele. A infecção bacteriana da pele (tipicamente causada por estafilococos) pode se desenvolver também, tirando partido da pele inflamada e danificada. A infecção é frequentemente profunda na pele do cão e causa, além do aspecto  de ferida úmida, um odor forte característico presente.

Como são tratadas as dermatites?
O objetivo do tratamento é eliminar a infecção bacteriana, aliviar a coceira e a dor, além de identificar e remover os gatilhos subjacentes, se possível. Os pelos em torno da dermatite do cão geralmente são cortados para permitir a limpeza inicial da área e a aplicação de medicações tópicas. O tratamento tópico com sprays, cremes ou pomadas para matar as bactérias e ajudar com a dor e a inflamação são frequentemente utilizados. Os antibióticos orais são geralmente prescritos para um curso de três a quatro semanas e às vezes mais. Muitas vezes, um curso curto de corticosteróides (ou seja, prednisona) é dado para aliviar a coceira e dor devido à inflamação. Os anti-histamínicos, também pode ser usado para ajudar com comichão.

Lembre-se de procurar ajuda veterinária logo que identificar alguma feriada ou coceira no seu animal de estimação. Quanto antes iniciar um tratamento, mais rápido seu cão ira melhorar, evitando sofrimento e problemas mais graves.

Como Limpar os Dentes do seu Cao


A boa notícia para os cães é que eles não são tão propensos a cáries como os seres humanos são. Mas, apesar da velha sabedoria convencional de que a boca de um cão é mais limpa do que os seres humanos, os cães ainda podem desenvolver problemas como o acúmulo de tártaro e placa bacteriana e gengivite. Mas não é só o mau hálito e dentes amarelos que você tem que se preocupar. Tal como acontece com os seres humanos, estes problemas dentais caninos podem realmente levar a infecções e problemas de risco de morte, incluindo o coração, o fígado e doença renal. Veja como praticar uma boa higiene oral e como isso irá prolongar a vida do seu cão:

Como escovar os dentes do seu cão

Precisaremos de duas coisas para iniciarmos a limpeza dos dentes de nossos cães: uma escova de dentes para cães e um pouco de estratégia. A melhor escova para uso é de duas pontas com as escovas em um ângulo de 45 graus para limpar abaixo da linha da gengiva. Veja aqui um exemplo de um modelo importado: Petosan .

Seu cão pode não se dar muito bem com a limpeza dos dentes num primeiro momento, mas depende de você tornar isso numa experiência razoavelmente agradável para ambos. Tente escolher um momento em que seu cão teve uma boa quantidade de exercícios pois ele está mais inclinado a sentar-se para o procedimento. Não exagere nas primeiras vezes. Comece devagar e pare imediatamente se o seu cão ficar muito agitado, mesmo que você não tenha escovado toda a boca. Você pode aumentar o tempo da escovação a medida que ele for se acostumando com isso. Além disso, certifique-se de falar suavemente e agradavelmente durante a escovação e recompensar o seu cão com um petisco depois.

Comece cedo, criando o habito desde filhote

Cães adultos podem se acostumar com a limpeza dos dentes, mas facilite as coisas para vocês dois criando o habito desde de filhote.

Como escolher a pasta de dente certa para seu cão

Isto é muito importante. Não use creme dental humano normal para seu cão. A maioria dos cremes dentais humanos incluem flúor, que é extremamente venenoso para os cães. Você pode encontrar creme dental formulado para cães na maioria das boas lojas de animais.

O alimento seco é melhor do que o alimento macio

Se a escovação termina em sangue, suor ou lágrimas, ainda há escolhas que você pode fazer para ajudar a melhorar a saúde bucal do seu cão. Ração seca é melhor para os dentes do seu cão do que alimentos moles, uma vez que o alimento macio é mais propensos a ficar entre os dentes e provocar cáries.

Ossos mastigaveis e brinquedos para limpar os dentes

Há muitos ossos sintéticos e mastigáveis, alem de brinquedos que são especialmente concebidos para fortalecer as gengivas e os dentes do seu cão. Apenas certifique-se que você está fornecendo objetos seguros para seu cão poder mastigar. Objetos muito duros podem quebrar os dentes do cão.

Dar ao seu cão um bom osso para roer pode ajudar na limpeza e a manter os dentes fortes, mas imagine um ser humano que só mastiga chiclete e usa enxaguante bucal. Isso não é um meio eficaz de garantir uma boa higiene oral e saúde em geral. O mesmo é verdadeiro para o seu cão.

Quando consultar um veterinário

Ao realizar a escovação (ou mesmo que não consiga, mas pelo menos verifique) você deve uma inspeção visual a cada duas semanas, mais ou menos. Se você identificar algum destes sinais, podem ser um problema dentário, ou algo mais grave, e que merece uma visita imediata ao veterinário:

  • Mau hálito
  • Mudança na alimentação (deixar de comer ou nao conseguir comer alimentos mais duros, por exemplo)
  • Arranhando e/ou tentando cocar o rosto ou a boca
  • Depressão
  • Salivação excessiva
  • Dentes desalinhados ou ausentes
  • Dentes escurecidos, quebrados ou tortos
  • Gengivas vermelhas, inchadas, doloridas ou sangramento
  • Tártaro (crosta marrom-amarelada) ao longo da linha da gengiva
  • Aftas ou feridas dentro da boca

Quantas vezes, ao ver um veterinário?

Mesmo com dentes saudáveis, assim como você, seu cão deve ter seus dentes examinados por um profissional a cada seis ou doze meses. Seu veterinário deve incluir um exame dentário com um check-up normal.

Atendimento odontológico pode ser um incômodo para os seres humanos e cães, mas a manutenção adequada pode ser uma poupança de dinheiro no longo prazo e até mesmo um salva-vidas. Muitos cães precisam de anestesia para ter seus dentes e gengivas limpas, se o acúmulo é grande o suficiente. Por isso, mantenha a boca do seu cão limpa e vocês terão muitos motivos para sorrir!

Depressão em Animais


Os cães podem sofrer de distúrbios de humor associados à depressão, assim como os seres humanos. Mas por que isso acontece? Como diagnosticar? Qual é a solução?
Alterações no ambiente são uma das principais causas

A depressão nos cães geralmente é resultado de uma situação traumática. Mudanças repentinas podem levar a essa condição: a chegada de outro cão ou de um bebê, mudança de residência, alteração na rotina do dono, morte de outro animal de estimação ou de um membro da família, situações estressantes como uma briga com outro cachorro e até mesmo alterações no clima, como a chegada do inverno.
Além disso, a depressão também pode estar relacionada às decisões dos donos em relação aos animais de estimação, como a superproteção, a falta de estímulo à socialização com outros cães e à prática de exercícios. Esses comportamentos mostram a falta de um bom direcionamento por parte do dono e podem causar doenças mentais que levam ao o mau comportamento e à depressão.
Comportamentos que permitem identificar o problema
Assim como os seres humanos, os cães costumam mostrar sinais de depressão. Os sintomas, no entanto, nem sempre são fáceis de identificar e podem ser confundidos com cansaço ou tédio, desviando a atenção de um problema mais grave e profundo.
Entre os comportamentos que permitem identificar o problema, podemos mencionar:
Falta de interação com outros cães e inatividade em casa ou em locais públicos: animais deprimidos podem deixar de socializar com outros animais e se afastar sem dar atenção às insistentes provocações para brincar.
Isso pode estar associado a outro sintoma, a inatividade, já que os cães nesse estado costumam ter falta de interesse em atividades como correr ou passear. Além disso, podemos notar que seus movimentos são mais lentos que o habitual.
Mudança de apetite: o cão deprimido costuma exteriorizar o problema alterando seus hábitos alimentares. Ele pode deixar de comer ou comer demais, aumentando repentinamente de peso.
Alterações no sono: os cães deprimidos geralmente dormem mais. Outros ficam mais nervosos e inquietos, o que os impede de pegar no sono.
Comportamentos estranhos: o cão também pode apresentar comportamentos fora do normal, como gemer e choramingar com frequência, ficar nervoso, indo de um lado para o outro, apegar-se excessivamente ao dono ou ficar escondido durante horas. Em casos mais graves, pode apresentar comportamentos autodestrutivos, como bater contra a parede, automutilar-se ou parar de comer.

Fazer um charme é comigo mesmo...

Dicas para enfrentar a depressão

Quando o cão apresenta com frequência algum desses sintomas, o primeiro passo consiste em consultar um veterinário para identificar o problema. Os comportamentos mencionados podem ser consequência de algum problema físico e não estar necessariamente relacionados à depressão.
Se, após a consulta, as suspeitas recaírem sobre um distúrbio de humor, é importante identificar as causas do problema. Depois desse passo, é possível tomar algumas ações, dependendo do conflito que causou a depressão.
Dedicar mais tempo ao cão e mantê-lo ocupado. Se a causa do distúrbio é uma alteração no ambiente, como uma mudança de residência ou modificação nos horários do dono, a melhor saída é destinar um período do dia para passear com o cachorro. Isso ajuda na estimulação mental.
Durante esse processo, é fundamental manter o cão exercitado e ocupado. Por isso, uma boa estratégia é acompanhá-lo em suas brincadeiras ou atividades favoritas. Além de dedicar mais tempo ao cão, é possível incluir brinquedos interativos para as horas em que não houver ninguém em casa. Isso vai permitir que ele se distraia e brinque por conta própria.
Um aspecto muito importante é evitar estimular constantemente um cão deprimido com prêmios ou petiscos. Ele pode entender que está sendo recompensado por apresentar esse comportamento negativo.
Socializar com outros cães: quando a depressão ocorre pela perda de um companheiro canino, o ideal é levá-lo com frequência a um parque para que ele socialize com outros cães. Também deve-se considerar a possibilidade de ter mais um animal de estimação em casa. Isso deve ser feito com cuidado, já que o cão pode se sentir deslocado.
Medicamentos, sim ou não? Quando os métodos descritos não funcionarem, os medicamentos são uma solução possível, sobretudo se a depressão for causada por um desequilíbrio químico. O uso de medicamentos, no entanto, sempre deve ser considerado como última opção, prescrito e acompanhado por um profissional.
Por Paula Rizzi
Animal Planet

Cinoterapia


 

Na Apae de Sabará, em Minas Gerais, a técnica já é utilizada com sucesso (Cristina Horta/EM/D.A Press )
Na Apae de Sabará, em Minas Gerais, a técnica já é utilizada com sucesso

O serviço de terapia ocupacional do Hospital Barão de Lucena (HBL) ganha hoje o Projeto Cães Doutores. A iniciativa pretende incentivar o método da Cinoterapia como reforço para o tratamento de crianças com dificuldades motoras e cognitivas.

O lançamento acontece na manhã desta terça-feira, com uma sessão especial de Cinoterapia no pátio externo do hospital e contará com animais de das raças Fox Paulistinha, Dachshund, Golden Retriever e Border Collie. A atividade também faz parte da comemoração da Semana das Crianças. O projeto acontece em parceria com o Kennel Club do Estado de Pernambuco, que está cedendo adestradores voluntários e os animais treinados.

De acordo com a terapeuta ocupacional do HBL e cinoterapeuta Andréa Souza, na Cinoterapia, o cachorro atua como mediador do tratamento, buscando-se desenvolver, com o cachorro e a criança, brincadeiras que possam trabalhar a necessidade do paciente, como coordenação, movimento ou concentração.

A expectativa é que o projeto beneficie os pacientes da pediatria, sobretudo as crianças com problemas neurológicos e algumas síndromes progressivas. Para participarem da terapia, os cães precisam passar por uma série de trabalhos e testes que avaliam a socialização dos animais. A reação do cachorro em situações inusitadas e o comportamento diante de uma grande quantidade de pessoas também são testados pelos adestradores e terapeutas.

Pequenas, mas perigosas: como eliminar as pulgas do ambiente doméstico


Quem tem animal em casa sabe: os cuidados com a higiene do pet e do ambiente devem levar em conta o surgimento de uma ameaça tão comum e antiga quanto o próprio homem: as famigeradas pulgas. Esses minúsculos insetos pertencem à ordem Siphonaptera, que engloba diversos gêneros (existem cerca de 1.900 espécies conhecidas de pulgas no mundo) e parasitam as mais diversas classes de animais, como mamíferos, aves, etc..

O controle de pulgas é fundamental ao bichinho e para a casa. Fique atento aos sinais de infestação

 

As pulgas mais comuns no ambiente urbano são as dos gatos (Ctenocephalides felis), que também podem infestar cães; as dos cachorros (Ctenocephalis canis) que também podem infestar felinos; e a Pulex irritans – o nome já diz tudo – que tem como hospedeiro preferencial os humanos. Todas podem transmitir doenças sejam leves como reações alérgicas ou graves como a peste bubônica (vetorizada pela espécie Xenopsylla cheopis que parasita roedores).

De acordo com o farmacêutico bioquímico especialista em entomologia urbana e ex-chefe do serviço de desinfestação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Eduardo Joseph Sayegh, as pulgas desenvolvem-se por meio de metamorfose completa, que compreende ovo, larva, pupa e inseto adulto e, por isso, dispõem de vantagens evolutivas que as tornam difíceis de combater. Uma delas é o desenvolvimento condicionado à oferta de alimento, o que lhes confere grande competitividade biológica. “São insetos com muitas ferramentas que permitem a sobrevivência em épocas hostis até que suja um hospedeiro em potencial”, explica Sayegh.

E é ai que mora o perigo: quando se pensa que as pulgas do animal acabaram, ocorre um novo surto. “O controle dos focos é bem complexo e requer uma abordagem coordenada”, recomenda Rosangela Ribeiro, gerente de programas veterinários da WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal. De acordo com Ribeiro, quando ocorre uma infestação por pulgas, somente 5% dos insetos se encontra no animal, os outros 95% ainda estão na forma de larva, pupa ou ovo no ambiente, onde podem permanecer por meses.  “Tentar controlar a praga somente com o uso de antipulgas não é a melhor estratégia”, completa.

Conheça e combine duas formas de eliminar as pulgas de vez
Combate, etapa 1: ambiente

A eliminação das pulgas deve englobar ações no ambiente, peça chave na erradicação de 95% da infestação. E, acredite, um dos melhores produtos para o controle desses insetos na casa é o aspirador de pó. “Mas atente-se, o eletrodoméstico deve ser de alta potencia e ter no mínimo 1.000 watts”, orienta Eduardo Joseph Sayegh, farmacêutico bioquímico especialista em entomologia urbana .

A pulga adulta coloca muitos ovos por dia que caem em todas as partes da casa, pois não se prendem aos pelos e o aspirador é a maneira mais eficiente de recolhê-los. “Aspire sofás, pisos, a cama do animal, rodapés e frestas, tacos, tapetes, enfim, todos os locais onde o inseto em suas diferentes fases possa estar escondido”, completa o farmacêutico bioquímico.

Ainda de acordo com Sayegh, uma boa prática é a aspersão de inseticida aerossol no saco do aspirador, após o serviço, de maneira a eliminar as pulgas adultas. “Importante é não esquecer de descartar o saco após esse processo”, enfatiza. Quanto aos cobertores e panos usados pelo animal, é recomendável fervê-los por cerca de 10 minutos logo após a lavagem corriqueira.

Em infestações ambientais severas deve-se realizar a dedetização do ambiente com empresas especializadas em controle de pragas urbanas, além de associar controle ambiental e o tratamento simultâneo de todos os animais da casa. A prevenção, no entanto, é simples: observe constantemente o comportamento dos bichinhos e faça uso regular de antipulgas para que o ciclo não recomece. Mantenha o ambiente o mais limpo possível e faça do uso do aspirador de pó um hábito, de duas a três vezes por semana.

Combate, etapa 2: animais

Se você tem mais de um bichinho em casa, trate-os da mesma maneira, mesmo que acredite que apenas um tenha sido infestado. O combate junto aos animais deve ser feito com a utilização de antipulgas com efeito residual (medicamentos aplicados combatem apenas as pulgas adultas), de maneira sistemática e constante. “O primordial é a prevenção, ou seja, aplicar esses produtos todos os meses, já que muitos animais são alérgicos à saliva do inseto”, explica a veterinária Rita Carmona, mestre em dermatologia veterinária pela Universidade de São Paulo.

De fato, existe uma alergia conhecida como DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulga), que pode fazer o animal sofrer com coceiras intensas e lesões dermatológicas. “Administre medicamentos antialérgicos para eliminar os sintomas, mas não deixe de combater a causa da alergia, acabando com as pulgas o mais rápido possível”, enfatiza Rosangela Ribeiro, gerente de programas veterinários da WSPA.
As profissionais recomendam a utilização combinada de produtos que matam pulgas adultas com inibidores de crescimentos desses insetos, contidos numa grande parte de preventivos para pulgas disponíveis no mercado. Nos animais, aplique produtos consagrados e de marcas reconhecidas – tipo sprays ou spot on (produto tópico de pingar) – a cada 30 dias. Porém, evite o uso de sabonetes e xampus antipulgas, pois além de ineficazes, não apresentam efeito residual e podem ser tóxicos para filhotes e animais idosos ou debilitados.

Também não é recomendável o uso de talcos antipulgas, pois a ingestão do produto pode causar intoxicação. Nesse quesito, Ribeiro faz um alerta: “nunca use qualquer outro produto que não seja de uso veterinário e jamais aplique nos animais inseticidas para controle ambiental de insetos, como formigas e baratas.” O ideal é sempre consultar um veterinário.

Fenobarbital


EMPREGO DO FENOBARBITAL NO CONTROLE DA EPILEPSIA CANINA

Resumo e atualização do trabalho de autoria de
Mônica Vicky Bahr Arias & Otávio Pedro Neto, publicado na revista Clínica Veterinária. , p.25 – 28, 1999
Fonte:
Um dos problemas mais comuns no tratamento da epilepsia canina é o uso inadequado de anticonvulsivantes para esta espécie. Algumas fármacos utilizados em seres humanos são metabolizados tão rapidamente pelos cães que a concentração sérica terapêutica não pode ser alcançada. Poucas medicações eficazes em seres humanos podem ser usadas em cães, sendo o fenobarbital o mais indicado. O problema mais comum com uso do fenobarbital é a subdose, que ocorre pelo receio de causar efeitos colaterais como sedação e hepatotoxicidade. Só se obtém o controle das convulsões quando a concentração sérica do medicamento é consistentemente mantida dentro do nível sérico adequado, o que está relacionado à meia vida do fármaco em questão. Ainda, a meia vida difere consideravelmente entre as várias espécies, o que torna muitos anticonvulsivantes utilizados em humanos inapropriados para uso em cães.
Sob o nome barbitúrico, há uma gama de substâncias depressoras do sistema nervoso central com propriedades farmacológicas semelhantes, porém, diferentes entre si na duração e rapidez de sua ação, bem como em sua potência. O ácido barbitúrico ou 2,4,6-trioxo-hexa-hidropirimidina origina a fórmula dos compostos mais propriamente chamados barbitúricos ou oxi-barbitúricos dos quais, os que tem o substituto 5-fenil possuem uma atividade seletiva anticonvulsivante. Neste grupo, encontra-se ofenobarbital, um dos primeiros barbitúricos a ser desenvolvido e reconhecido por sua atividade anticonvulsivante. É uma medicação eficaz, segura, barata e com poucos efeitos colaterais além da sedação. A despeito do surgimento de novos antiepilépticos, permanece como fármaco de primeira escolha em cães e gatos. Controla as convulsões em 60-80% dos cães epilépticos, se a concentração sérica for mantida dentro da faixa adequada. A sua ação decorre da elevação do limiar convulsivo e facilitação da inibição sináptica mediada pelo ácido gama amino butírico, reduzindo a excitabilidade neuronal. Também inibe a difusão do foco epiléptico para outras áreas encefálicas, reduz a intensidade das convulsões, diminui sua duração e freqüência, prevenindo efeitos colaterais como degeneração ou morte neuronal decorrentes de atividade convulsiva repetida.
Devido à sua meia vida longa (40-90 horas), são necessários 8 a 18 dias para se alcançar um nível sérico estável (entre 20 e 45 mg/ml). Para que isto ocorra, deve ser administrado a cada 12 horas na maioria dos cães. Nos 18 dias subseqüentes ao início do tratamento e após cada ajuste na dose o paciente ainda pode apresentar convulsões porque a concentração sérica terapêutica pode não ter sido atingida.
Seu uso produz menos efeitos colaterais e menor toxicidade do que outros anticonvulsivantes. Mesmo quando utilizado em doses altas, dificilmente ocorre indução de hepatotoxicidade, que aparentemente só ocorre se a concentração sérica for mantida acima do limite máximo por períodos prolongados. O fenobarbital causa um aumento inespecífico da fosfatase alcalina, da alanina aminotransferase e da glutamato desidrogenase em 50% dos pacientes. Este aumento não está associado a lesões estruturais hepáticas. Relata-se lesão hepática grave em decorrência da terapia crônica em apenas 6% a 14,6% dos cães. Nestes casos além do aumento das enzimas, observa-se diminuição da albumina, uréia e colesterol. Frente a estas alterações, devem ser realizados também testes de função hepática, como por exemplo ácidos biliares séricos. A incidência de toxicidade hepática é reduzida evitando-se o uso concomitante de fármacos metabolizadas pelo fígado e monitorando-se o paciente a cada 4-6 meses. Apesar do potencial para ocorrência de hepatotoxicidade, o benefício obtido com o controle das convulsões claramente suplanta os possíveis efeitos deletérios do fenobarbital.
Outros efeitos colaterais como sedação, ataxia, poliúria, polidipsia, polifagia, ganho de peso corpóreo e ocasionalmente nistagmo são temporários e usualmente desaparecem uma vez que o nível sérico seja estabilizado, uma a duas semanas após o início da terapia. Caso isto não ocorra, recomenda-se a diminuição da dose. Existem ainda alguns relatos de discrasias sangüíneas, como por exemplo trombocitopenia e neutropenia, reversíveis após a interrupção do tratamento.
O fenobarbital acelera a atividade das enzimas microssomais hepáticas, o que parece estar relacionado à dose utilizada. Portanto, após uso prolongado, aumenta a velocidade de eliminação de fármacos metabolizados pelo fígado, assim como sua própria taxa metabólica, ocorrendo a diminuição de sua concentração sérica. Em alguns pacientes existe a necessidade de aumentar a dose ou a freqüência de administração para manter a ação terapêutica, porém a monitorização da concentração sérica deve ser utilizada para guiar esta conduta. Por outro lado, fármacos que inibam o metabolismo enzimático hepático podem prejudicar o tratamento. Assim a administração de cimetidina, cloranfenicol e cetoconazol podem aumentar a concentração sérica de fenobarbital, o que poderia ocasionar toxicidade.
O objetivo do tratamento é diminuir a frequência e a intensidade das convulsões a um nível suportável para o proprietário e para o paciente. O tratamento, uma vez iniciado, deverá persistir durante toda a vida do animal, com administração diária dos medicamentos. A retirada abrupta da medicação pode precipitar convulsões mais intensas do que as que ocorriam inicialmente. A necessidade de administração diária deve ser enfatizada ao proprietário e sua motivação avaliada antes da decisão de iniciar a terapia.
A dose varia de acordo com a espécie. Em cães as doses iniciais recomendadas variam de 1,5–5,0 mg/kg a cada 12 horas. Caso não haja controle adequado das convulsões, deve-se aumentar a dose gradativamente. Lembrar, porém que após cada aumento de dose são necessários pelo menos 10 –15 dias para que se obtenha o nível sérico e o efeito desejados. Em filhotes, a meia vida pode ser mais curta, havendo necessidade de administração da fármaco a cada 8 horas. Ocasionalmente, o paciente pode se mostrar hiperativo durante a fase inicial do tratamento, porém este efeito é suprimido aumentando-se a dose. Deve ser explicado ao proprietário que podem ser necessárias várias semanas de terapia para que concentrações terapêuticas sejam alcançadas e durante este período pode persistir a atividade convulsiva.
Devido à baixa solubilidade em lipídios, quando aplicado pela via intravenosa demora 15 a 20 minutos para penetrar no sistema nervoso central, levando portanto 20 a 30 minutos para controlar uma crise convulsiva. Assim, nos casos de “status epiléptico” recomenda-se a administração de diazepam, que atua em 2-3 minutos, seguido pela administração de fenobarbital em doses fracionadas de 3 mg/kg a cada hora, até que uma dose total de 15 mg/kg tenha sido administrada. O paciente deve ser monitorado, devido a possibilidade de ocorrência de depressão cárdio-respiratória. A incidência desta alteração diminui se o fenobarbital for administrado pela via intramuscular. Após o controle do “status epiléptico”, a administração deve ser mantida a cada 12 horas, na dose de 2,0-4,0 mg/kg, , até que o paciente esteja apto a receber a medicação pela via oral.
MONITORIZAÇÃO DO TRATAMENTO

controle da atividade convulsiva e a toxicidade de um anticonvulsivante não são determinados pela dose fornecida mas sim pela medição de sua concentração sérica. Este exame é o método ideal para assegurar o controle adequado das convulsões, detectando subdoses e diminuindo a ocorrência de toxicidade, sendo o substituto ideal para o critério clínico. A concentração sérica do fenobarbital só pode ser medida após a obtenção de níveis séricos estáveis, aproximadamente 14 dias após o início do tratamento ou da alteração da dose. Este exame deve ainda ser realizado a cada quatro ou seis meses em terapias prolongadas; imediatamente após qualquer atividade convulsiva em animais tratados regularmente; após alterações na dose; quando ocorrer doença sistêmica simultaneamente ou possibilidade de interações com outras fármacos; quando houver sinais de toxicidade, ou quando suspeitar-se de administração inadequada do medicamento. Este procedimento auxilia na determinação da dose mínima necessária que proporcione concentrações séricas terapêuticas.
A concentração sérica do fenobarbital em animais que recebem a medicação regularmente apresenta flutuações, se mantendo porém acima de um valor mínimo. Assim, para a descrição da variação da concentração sérica do fenobarbital deveriam ser coletadas 6 amostras em um período de 24 horas. Clinicamente, porém, esta avaliação pode ser feita com uma dosagem. A amostra é coletada imediatamente antes da administração da segunda dose (11-12 horas após a primeira dose), quando a concentração cai em seu nível mínimo. Caso o nível sérico de fenobarbital esteja abaixo dos valores recomendados, é necessário um ajuste na dose, que pode ser estimado através da seguinte fórmula

Nova dose = velha dose x concentração sérica desejada / Concentração sérica medida

As convulsões só podem ser consideradas refratárias ao fenobarbital quando o nível sérico terapêutico máximo for obtido e o animal ainda apresentar convulsões. Outras causas de falha no tratamento devem ser descartadas, inclusive falha no diagnóstico. Considerar a utilização de um segundo anticonvulsivante somente após esgotar as possibilidades com o fenobarbital. Se esta necessidade for comprovada, é importante ressaltar que a terapia jamais deve ser cessada subitamente, devido ao risco do desenvolvimento de “status epiléptico” grave. Assim, o próximo passo é a adição de um segundo anticonvulsivante, sendo o brometo de potássio o mais indicado, reduzindo-se então o fenobarbital gradativamente.
Nenhum outro anticonvulsivante foi estudado tão extensamente em cães a ponto de ser considerado tão eficaz e seguro no tratamento da epilepsia canina como o fenobarbital.Como a concentração sérica não pode ser prevista com base na dose administrada e como o efeito terapêutico é função da concentração sérica, este exame deve se tornar rotina na clínica veterinária, para que o regime terapêutico seja corretamente estabelecido. A obtenção dos níveis séricos adequados reduz a necessidade de combinações de fármacos anticonvulsivantes, prática esta que deve ser reservada aos cães comprovadamente resistentes ao fenobarbital.

Link para laboratório que faz dosagem sérica: