Erros Comuns – Parte I

Quero falar um pouco a respeito de alguns erros muito comuns que acontecem quando alguém está a procura de um novo companheiro e também depois quando esse companheiro já faz parte do dia a dia da família. Muitas vezes, esses erros acontecem por pura falta de informação e, por isso, acredito que a leitura, a pesquisa a respeito da raça, cuidados específicos, entre outros, poderão evitar problemas no futuro, tanto para o inexperiente dono, quanto para o cão.

Comprar uma raça porque é bonitinha e não se informar antes se ela é adequada ao estilo de vida da família.
Um dia me chegou um amigo com um filhotinho lindo de Shar-Pei de apenas 3 meses de idade. Conversa vai, conversa vem, ele me falou da imensa tristeza que foi para toda a família ter que se desfazer de um filhotinho de Boxer de apenas 4 meses. É que para eles era impossível conviver com um cachorro que BABASSE. Isso mesmo, eles achavam importantíssimo ter um cachorro que não deixasse baba pela casa toda, e nem nas mãos e pernas das pessoas ! Vocês não podem imaginar a minha cara, nem a dele, quando eu tive que informá-lo de que o Shar-Pei baba, pelo menos, o dobro que um Boxer. Eu podia sentir as minhas palavras atingindo o dono como se fossem facadas, e não estou exagerando. Ele não podia acreditar e ficava repetindo o tempo todo: “Mas a criadora não me falou nada que esta raça babava!!!”. E aí eu tive que fazer a pergunta derradeira: “Você perguntou para a criadora? Ou pelo menos avisou a ela que se o cachorrinho babasse você não iria querer esta raça?” A resposta, por mais óbvia que pudesse parecer a pergunta, foi: “Não, não perguntei!” Não demorou outros três meses para que o dono, completamente arrasado, decidisse dar o filhotinho de Shar-Pei também.

Uma outra me procurou dizendo que não tinha comprado um cachorro, tinha comprado uma peste. Este era o pior cachorro que ela já havia tido em toda a sua vida, um horror. Claro que todos estavam apegados ao bichinho, mas ela já estava ficando desesperada e quase desistindo do animal. Depois de ficar meia hora tentando acalmar a dona, consegui saber que o grande orgulho da senhora era o jardim. Um jardim todo florido, com espécies raras que eram presenteadas por amigos que, quando viajavam, traziam sementes do exterior. A grama do jardim parecia cortada com tesourinha de unha de tão perfeito. Bom, isto é, até a peste ter vindo morar na casa. Desde então o jardim se tornou um campo minado. Onde não tinha planta morta, tinha planta destroçada. Onde não tinha cratera na grama tinham marcas amarelas horrorosas da grama queimada pelo xixi e cocô do monstro. E que raça era esta? Um Fila gigantesco? Um Mastim Napolitano tamanho família? Um Dogue Alemão criado a Toddy? Não, nada disso. Era um pequeno e lindinho Scottish Terrier. Um cachorrinho de pequeno porte, fortinho, robusto, pretinho, cuja principal função na vida é cavar buracos para encontrar roedores e animais de toca. Ele é um caçador nato e tem um instinto predador muito forte, além de um desejo incontrolável de cavar. Culpa do cachorro? Claro que não. Além do mais, ele vivia o tempo todo do lado de fora, e as crianças (que na verdade eram adolescentes), não tinham tempo de brincar com ele, nem de treiná-lo. Então era o cachorrinho e as roseiras, e as bromélias, e as orquídeas… Também para esta senhora ninguém avisou que o cachorrinho gostava de cavar. Também ela não perguntou. Ela só havia perguntado se ele crescia muito. Não, não cresce. E se ele era resistente o bastante para morar do lado de fora da casa. Sim, ele é. E o jardim que era tão importante na vida dela, ficou destruído.

Comprar um cachorrinho para as crianças pequenas, achando que elas farão todo o “trabalho sujo” com o animal.
Sempre tem aquela família que nunca quis ter cachorro, mas acaba cedendo aos apelos dos filhotes humanos e compra um filhotinho de cachorrinho com a condição de que a criança é que vai ser responsável pelo bichinho. E a criança diz que vai limpar as sujeiras, vai dar comida, trocar o jornal, vai sair para passear todo dia. Não é nem preciso lembrar que 99% das crianças não vão conseguir cumprir estas promessas, não é mesmo? Mesmo que elas quisessem, a maioria nem tem tempo, pois estudam, fazem balé, judô, natação, inglês, francês, capoeira, trabalho de grupo, etc, etc, etc… Quem acaba ficando super frustrado são os pais. Parece pior ainda quando apenas um dos cônjuges é que realmente não queria o cachorro e ficou contra o tempo todo. É aí, que finalmente ele vê a oportunidade da revanche final e faz questão de repetir a cada 10 segundos: “Viu, eu não falei que não queria cachorro?! Ninguém me escutou, não foi?!! Agora não contem comigo, que eu não vou ajudar em nada!!! Eu avisei, não avisei?!!!!” Para piorar um pouquinho mais a situação, se as “crianças” são pré-adolescentes em pouco tempo elas serão os mais autênticos “aborrecentes” e é aí mesmo que o cachorro (que dura em médias uns 12 anos) vai ficar sem ter vez. São as festas, o pré-vestibular, os namoricos, os shoppings com os amigos… Quando os pais aceitam o pequeno fardo peludo ainda vai tudo bem, mas sempre fica aquela perguntinha atrás da orelha: “Onde foi que eu amarrei meu burro?!”

Se você não se encaixou em nenhum destes casos até agora, mesmo que levemente parecido, pense agora nos problemas que acontecem quando o filhotinho já está em casa. Falaremos na semana que vem a respeito desses problemas.

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Uma resposta em “Erros Comuns – Parte I

  1. Quero muito que,alguém doa para mim,um filhte de cachorro sharpei.Sempre tive um sonho,de ter um cãozinho desse.Se houver alguém que queira doar um cãozinho desses,favor mandar,um comentário pelo meu email.Meu nome é Ana Claudia de Souza,moro na cidade de ascurra Santa Catarina.

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