Algumas zoonoses que podem afetar cães e gatos

Sarnas

São minúsculos insetos conhecidos como ácaros. Existem vários tipos de ácaros que normalmente residem nos carpetes, cortinas e outros lugares que possam abrigá-los, mas apenas alguns tipos causam sarna. O insetinho coloniza o folículo piloso e causa grande irritação, por isso os animais se coçam. Na verdade não só os animais, mas as pessoas que pegarem sarna também se coçarão bastante.

O cachorrinho pega sarna de outros cães ou de lugares contaminados.

Além da sarna mais comum, que é a sarcóptica, existe a demodécica, conhecida também como sarna negra e a sarna de ouvido. São ácaros diferentes. A demodécica é a única complicadinha de tratar, pois está mais relacionada a uma deficiência genética que torna o cão indefeso, do que à própria força do ácaro em si; para se ter uma ideia, um cão saudável, mesmo que fique próximo a um cão com sarna negra não a contrai.

Para prevenir as sarnas, mantenha o máximo de higiene nas acomodações do seu animal e evite contato com outros animais não tão bem cuidados. Se você já sabe que seu amigo está com sarna, evite deixá-lo no colo e lave sempre a mão após lidar com ele. Para tratar animais com sarna, você precisa de ajuda de um veterinário. Nem tudo que coça é sarna. Alergias também coçam, e o tratamento é diferente. Automedicação ou auxílio de curiosos também é prejudicial. Medicamentos contra a sarna são inseticidas e podem ser perigosos se usados de forma errada, principalmente em animais jovens e gatos.

 

Micoses

Diferente das sarnas, as micoses são causadas por fungos patogênicos. Normalmente são mais frequentes em épocas quentes e úmidas. Nem sempre coçam, mas caem muitos pelos, deixando áreas alopécicas (sem pelos) em várias partes do corpo.

 

Verminoses

Muito importante prevenir, pois são muito comuns, e as pessoas podem se contaminar. Os vermes são parasitas que habitam principalmente o intestino de cães e gatos. Ocasionam má absorção do alimento e diarreias. Filhotinhos com muitos vermes correm, inclusive risco de morte.

Os vermes podem ser contraídos pelos fi lhotes, ainda no útero materno, por isso as futuras mamães devem ser vermifugadas. Os cães podem também contrair vermes ao lamberem o próprio corpo, lamberem o chão, beberem água contaminada, engolirem pulgas ou pisarem em terrenos contaminados. Os vermes eliminam seus ovos pelas fezes dos cães e gatos, daí não preciso nem falar da importância da correta higiene de nossa casa e quintal, e que não devemos andar descalços por onde eles defecam.

Também é muito importante lavar sempre a mão depois de lidar com eles. As pessoas também podem contrair vermes. Por alimento contaminado, verduras e carnes malpassadas. Quando um verme está alojado no intestino de uma pessoa, é ruim, mas não é grave. O problema é quando vai parar em outros lugares do corpo, aí fica perigoso. Mas a prevenção é muito, muito simples.

Vermifugue seu amigo diversas vezes durante a infância dele. Depois de adulto, continue vermifugando periodicamente, no mínimo de seis em seis meses, ou sempre que retornar de áreas rurais ou de passeios em lugares de terra ou mato. Já na praia existe outro tipo de verme, transmitido por um pernilongo e que se aloja no coração dos cães, é a dirofi lária. Se você pretende levar seu cão a áreas de litoral, avise sempre seu veterinário, para receber orientação sobre como proceder a prevenção.

 

Toxoplasmose

Outro tipo de parasita intestinal, causado por um protozoário, mais comum nos gatos. Normalmente não é muito perigoso aos gatos e pessoas, exceto às mulheres grávidas em início de gestação. Uma mulher que já teve gatos durante a vida toda, provavelmente já terá tido contato com o toxoplasma e nem fi cou sabendo disso, por ser assintomático, mas se você é mulher, nunca teve gatos e acabou de engravidar, não é o melhor momento de ganhar um bichano, a não ser de pelúcia.

 

Febre maculosa ou febre do carrapato

Doença pouco comum no Brasil, mas ganhou a mídia nos anos de 2005/2006 quando apareceram supostos casos na região da Grande São Paulo. Causada por uma rikétsia (parente das bactérias), transmitida pelos carrapatos e que pode infectar as pessoas causando uma febre que pode ser fatal. Não é comum acontecer, mas ilustra bem o porquê devemos eliminar os carrapatos de nossos amigos.

Prevenção: banhos frequentes, examinando bem o cão, limpeza rigorosa das instalações e medicação contra carrapatos, no chão e no animal, sempre que encontrar algum carrapatinho. Converse sempre com seu veterinário, que vai indicar o medicamento mais apropriado e seguro.

Texto retirado do livro: “Como cuidar de seu cão e gato de fora responsável”
Veterinário Wilson Grassi

Primeiros Socorros para Animais

Olá!

Vi uma reportagem bem interessante no site do UOL e acho que é muito importante divulgar esse tipo de informação.

Numa emergência, saber o que fazer pode significar a diferença entre a vida e a morte do seu animal de estimação. Portanto, espero que ninguém aqui precise passar por isso, mas conhecimento nunca é demais.

Veja os vídeos aqui.

 

Um abraço.

O que fazer se o seu cão fugir

É a sensação de que todos os proprietário de animais de estimação mais teme: você chama o nome do seu cão e ele não vem. Uma porta esquecida aberta e pronto… seu cão pode estar em qualquer lugar. O importante é não entrar em pânico. Respire fundo e comece a percorrer os passos abaixo.

Fase I: Assim que você observar que o seu animal de estimação está desaparecido

Como qualquer um que é fã de programas de crimes na TV pode dizer, o momento mais crítico em um caso de pessoas desaparecidas, são as primeiras 24 horas. O mesmo vale para cães desaparecidos. Quanto mais cedo você começar a procurar, mais cedo você vai encontrá-lo. Quanto mais tempo o seu cão teve para fugir, maior será o perímetro que vai ter que procurá-lo. Então, assim que você verificar que o cão realmente se foi é hora de iniciar a procura.

• Telefone: Coloque o seu número de telefone na coleira do seu cão. Isso pode ajudar a quem encontrá-lo a entrar em contato com você. Se a coleira tem o seu número de telefone celular, certifique-se de levar o telefone com você em sua busca. Se a coleira tem um telefone fixo, certifique-se que alguém estará em casa para atender o telefone caso alguém ligue.

A pessoa encarregada de esperar em casa também pode usar a oportunidade para ligar para seus contatos, veterinários, e pet shops. Certifique-se de usar um telefone diferente do que na etiqueta de identificação do seu animal ou que você tem chamada em espera ativado para que você não perca nenhuma chamada. E não se esqueça de deixar seu número de telefone e uma descrição do seu cão com os abrigos.

• Tire uma foto. A melhor forma de otimizar a busca e o reconhecimento do seu cão é uma foto recente dele. Depois, você pode mostrar às pessoas a foto e perguntar se eles já viram aquele cachorro. É muito mais rápido do que ter que passar por um confuso “Achamos que ele é um poodle com uma mistura de outra coisa e com cores diferentes no pelo, mas na maior parte marrom …” Se você não tem uma foto de seu cão, tente imprimir uma foto da raça que mais se assemelha a ele.

• Traga um pouco de isca. Há um som que seu cão gosta de ouvir, como o barulho de um brinquedo ou um apito? Se for assim, trazer esse item durante a busca e fazer um pouco de barulho pode ajudar muito. Junto com o tom de sua voz, você tentar mostrar ao seu cão que não está zangado para que ele evite se esconder de você. Com sorte, ele virá correndo quando ouvir seu som favorito.

• Mutirão. Traga cartões de visita ou um bloco de papel onde você pode escrever o seu número de telefone. Dar o seu número de telefone para os seus vizinhos ou para alguém com quem você conversou durante a busca, e pedir-lhes para chamá-lo se virem qualquer sinal de seu cão, pode ajudar. Há também sites onde você pode postar o desaparecimento do seu cão para obter a ajuda de pessoas que morem na sua área.

Fase 2: O dia seguinte

Você procurou por toda parte o seu cão, mas infelizmente teve de desistir durante a noite. Saiba que a esperança não está perdida. Os cães têm excelentes instintos e podem voltar para sua área após a sua grande aventura. Se eles foram roubados, ainda há uma boa chance de que alguém tenha testemunhado algo que pode ajudar a localizar o seu cão. O que você pode fazer nesse meio tempo?

• Crie um pôster. Incluir uma foto recente de seu cão (cor, se possível), o seu número de telefone, e uma breve descrição de onde e quando o cão foi visto pela última vez. Incluir o nome do cão e oferecer uma recompensa, mas não especificar um valor. Se a recompensa é muito baixa, as pessoas podem não se preocupar e se for muito alta, eles podem pensar que o cão é valioso e tentar vendê-lo. Além disso, publicar a informação no jornal local ajuda.

• Onde informar. Tente colocar em todos os quadros de avisos públicos que você pode pensar: centros comunitários, parques, mercearias, padarias e postes do seu bairro e região. (Esteja ciente das leis em sua área. Vai ser um desperdício de seu tempo se o cartaz for removido.) Peça a comerciantes locais para mostrar o seu anúncio em suas lojas ou ao lado de sua caixa registradora. Dê pilhas de panfletos para os amigos e familiares e  peça-os para distribuir.

• Verifique os sites de perdidos e achados. Verifique on-line e no jornal local para ver se alguém postou um aviso de que eles encontraram um cão que corresponda ao seu.

Passaram-se alguns dias e ainda nenhum sinal.

Não desista. Se seu cão teve a devida identificação em sua coleira ou um microchip as chances são boas que você será avisado se ele for encontrado ferido ou pior. Tente ampliar o perímetro de sua pesquisa e entre em contato com abrigos e pet shops fora de sua área local. Também certifique-se de manter seus anúncios on-line atuais e no jornal.

Boa sorte!

Em breve traremos mais dicas sobre como evitar que o cão fuja ou seja roubado.

Fonte: http://www.cesarsway.com

Alguns Cuidados Essenciais

Bons hábitos de higiene pessoal nos fazem ficar mais felizes e saudáveis. Isso também vale para o cão: limpo, pêlo bem cuidado, unhas cortadas, olhos e dentes limpos vão mantê-lo se sentindo mais confortável e com a aparência e cheiro melhores. Para manter seu cão da melhor maneira, você precisará saber algumas habilidades de beleza, bem como quando é a hora de procurar um profissional.

 

Cuidados com a pelagem

Sem escovar ou pentear regulares, o pêlo de seu cão pode formar nós. Eles podem puxar e causar inflamações à pele sensível do cão, além de serem doloridos para remover. Mesmo os cães de pelagem curta e baixa precisam de escovação regular, para distribuir o óleo da pele e remover pêlos mortos. Com isso em mente, todos os donos de cães devem ter alguns acessórios de beleza à mão.

Um pente de pulgas com dentes finos dura para o resto da vida de seu cão. Também use esse pente para remover pêlos mortos e soltos. Se a pelagem de seu cão está muito embaraçada, não use um pente, pois você acabará machucando-o.

A escovação regular mantém a pele saudável, estimulando o fluxo sangüíneo e distribuindo os óleos naturais. Se seu cão tem pelagem curta, uma escovação semanal dá conta do recado. Entretanto, uma raça de pelagem grossa, longa ou desgrenhada, como um afghan ou old english sheepdog, pode exigir cuidados diários. Uma escova de cerdas de borracha pode prevenir a formação de nós e uma escova de couro curtido ou luva de borracha podem remover os pêlos soltos rápida e facilmente. Para melhores resultados, esteja certo de que você está penteando no sentido para baixo em relação à pele.

Use uma escova de cerdas naturais em cães de pêlo curto. Esse tipo de escova também pode ser usada em raças como husky e collie, que têm “pelagem dupla”: uma pelagem macia por baixo e uma pelagem externa resistente. Uma escova de pinos de aço é melhor para cães de pelagem longa, como maltês, shih tzu e yorkshire. Alguns cães, como poodles, bichons frises, kerry blue terriers têm a pelagem cacheada ou ondulada, precisando do uso de uma escova de borracha com cerdas curvadas. Para aqueles com pêlos lisos, escorridos, sedosos e finos, como setters ou spaniels, a escova de pinos ou de cerdas de borracha são boas escolhas. Pergunte ao criador se a pelagem do cachorro requer um tipo de escova ou pente especial, especialmente se você quiser levar o animal para exposições.

Antes de começar a escovar, umedeça a pelagem de seu cão com um condicionador em spray. Isso ajuda a escova a se movimentar suavemente no pêlo e diminui a eletricidade e os fios partidos.
Para remover nós, coloque um pouco de óleo para bebê ou líquido desembaraçante em cada um. Após vários minutos, tente desprender e separar os fios do nó, usando os dedos ou o dente final de um pente. Escove cuidadosamente cada uma das partes desprendidas, indo devagar para não machucar seu cão. Em casos mais sérios, a pelagem inteira terá que ser cortada.

Você deve reparar que a pele e os pêlos de seu cão ficam mais secos durante o inverno e que a pelagem fica estalando com a eletricidade estática toda vez que você o acaricia ou escova. Todos na casa se sentirão melhor se você colocar um umidificador nas épocas mais quentes. Após o banho, trate a pele de seu cachorro com um condicionador especial. Uma leve camada de vaselina também pode ajudar a aliviar almofadas dos pés secas e quebradiças.

 

Pedicure

Não negligencie a rotina de cuidados com os pés dos cães, ele é suscetível a picadas ou machucados causados por vidros ou por outros objetos afiados, bem como arranhões e esfolamentos causados por calçadas de cimento e cascalho. Examine os pés de seu cão de tempos em tempos para ter certeza de que ele não pegou nenhum grude de rabo-de-raposa (tipo de capim) ou videira. Se carrapichos ficarem grudados na pata, remova-os com tesouras. Limpe os pequenos cortes e passe pomada ou creme antibiótico. Busque tratamento veterinário para cortes mais sérios.

Pequenos cortes ou doenças de pele podem causar infecção nas glândulas sudoríparas entre os dedos os pés, um problema comum em bull terriers, dobermans e pequineses. Mergulhar os pés sofridos em um escalda-pés com água morna e sal aliviará a dor. Uma infecção mais grave ou persistente precisa de cuidados veterinários, antibióticos ou outro tratamento reforçado.

Se o seu cão pisar em algo grudento, amacie colocando margarina, manteiga de amendoim ou banha nos pés. Então, tire o objeto aos poucos. Coloque gelo no chiclete para fazê-lo ficar frágil e fácil de remover. Você também pode tentar mergulhar o pé em uma mistura de água morna com sal e azeite ou óleo mineral.

Para cães que vivem em regiões com gelo e neve no inverno, o sal das estradas e os produtos para derreter gelo podem irritar as almofadas dos pés. Lavar e secar os pés da Muffy antes de sair reduz essa situação dolorosa e previne que ela engula sal quando lamber os pés doendo. As botinhas são uma outra opção, apesar de alguns donos acharem-nas humilhantes. Os cães que gastam muito tempo no gelo e na neve também podem formar bolinhas de gelo entre os dedos dos pés. Isso pode ser prevenido usando um spray de silicone antes de o cão pôr a cabeça para fora de casa.

Cortar as unhas de um cão exige prática e perseverança. Manter as unhas de seu cãozinho propriamente cortadas significa menos estragos no seu carpete e pisos, além de uma menor chance de dor por causa de unhas agarradas, quebradas ou encravadas. Quanto mais cedo você começar a acostumar seu cão a ter as unhas cortadas, mais fácil será ao longo da vida, especialmente se seu cão ainda é um filhote. Use cortadores de unha especialmente feitos para cães. Para melhores resultados, espere que ele esteja relaxado ou adormecido. Corte onde as unhas curvam, do outro lado da área sensível e rosada conhecida como sabugo. É fácil evitar esse lugar se as unhas de seu cão são claras, mas unhas escuras necessitam de mais precisão. Se você cortar muito a unha e atingir o sabugo, use um bastão ou pó adstringente para fazer parar o sangramento. Mergulhar a unha no amido de milho também ajuda a estancar, ou então, mantenha uma barra de sabão próxima quando você estiver cortando as unhas de seu cão. Se você atingir o sabugo, apenas esfregue a unha pela barra de sabão para parar de sangrar. Corte as unhas de seu cão a cada duas semanas ou quando necessário. Elas precisam ser cortadas se tocam o chão quando o cão está parado em uma superfície rígida ou se fazem barulho de cliques quando ele anda.

 

Cuidados com os dentes

Embora os cães geralmente não tenham cáries, eles são propícios a doenças de gengiva por causa da formação de tártaro. Ele é um subproduto da placa, que é um resíduo macio e pegajoso que fica nos dentes após comer. Quando a placa endurece, faz as gengivas ficarem vermelhas, inflamadas e doloridas. Isso é chamado de gengivite. As doenças gengivais são um dos problemas mais comuns que os veterinários encontram nos cães. Além de causar mau hálito, se a doença periodontal ficar muito ruim, pode interferir na mastigação e até mesmo afetar órgãos internos, causando infecções bacterianas nos rins e no coração.

A boa higiene dental não pode começar muito atrasada. Se você começa a cuidar dos dentes de seu cão enquanto ele é um filhote, você pode reduzir bastante a chance de ele desenvolver doenças periodontais. Para escovar os dentes, use uma escova pequena e macia ou então uma escova de dedo com pasta de dente ou solução de limpeza feita para bichos de estimação. A pasta de dente para pessoas faz muita espuma e os aditivos podem irritar o estômago de seu cão. Você também pode embrulhar gaze em torno do seu dedo e esfregar suavemente os dentes de seu cão com uma pasta. Para fazê-la em casa, misture bicarbonato de sódio com um pouco de sal e água. Aplique-a com uma escova de dentes ou gaze. Não use essa receita se seu cachorro faz dieta com restrição de sódio.

O ideal é que você escove os dentes do cão todos os dias, mas pelo menos uma escovação semanal ajudará. A formação de tártaro tem que ser removida pelo veterinário, com o cão sob anestesia. Sendo assim, o esforço extra da escovação regular vai salvar você e seu cão de muito mais esforço e despesas mais à frente.

 

Ouvidos

Os ouvidos de seu cão são delicados e sensíveis, instrumentos bem afinados que o permitem captar sons bem longe da freqüência auditiva humana. Considerando o quanto as pessoas são exigentes em relação a seus equipamentos de som, você pensa que todos entenderiam como é importante cuidar do “sistema de som” de alta qualidade de um cão. As infecções causadas por corpos estranhos podem danificar seriamente essas criações maravilhosas. Entretanto, apenas alguns minutos por semana para examinar e limpar os ouvidos de seu animal vai ajudá-los a ficar sãos e salvos.

O ouvido externo, também chamado de pavilhão auditivo, é o mais vulnerável a ferimentos e infecções, uma vez que está exposto a objetos estranhos e sujeira. Manter o ouvido externo limpo é a primeira providência de defesa contra problemas. Comece examinando as orelhas diariamente. As saudáveis são rosadas na parte de dentro, sem cheiro ruim ou secreções aparentes. Depois, procure por objetos estranhos. Se seu cão passa muito tempo do lado de fora, especialmente em mato alto ou áreas com madeira, ele pode pegar rabos-de-raposa ou carrapatos em suas orelhas. Remova os corpos estranhos com seus dedos e então limpe as orelhas do cão com óleo mineral. Nunca use sabão e água, pois a água ensaboada pode causar uma infecção auditiva. Se um corpo estranho estiver incrustado na orelha ou se você não está seguro de retirá-lo, deixe que o veterinário faça isso. O melhor meio de remover é agarrá-lo firmemente no nível da pele com uma pinça e puxá-lo de uma só vez com uma pressão suave e forte.

Dê para as orelhas de seu cão uma limpeza completa mensalmente, conforme necessário. As orelhas pendentes geralmente precisam de mais atenção do que as em pé. Umedeça uma bola de algodão ou de roupa com óleo mineral, azeite ou hamamélis e limpe com cuidado o interior das orelhas. Não use cotonete, pois é fácil danificar acidentalmente os delicados mecanismos da orelha interna. Algumas raças, como os terriers e poodles, têm pêlos que crescem dentro da orelha. Eles precisam ser puxados para prevenir o acúmulo de cera e sujeira. Peça a um arrumador ou a um criador para lhe mostrar como puxar os pêlos.

Fique sempre atento aos primeiros sinais de alerta de uma infecção de ouvido, que não é um problema tão incomum nos cães. Se o seu agita a cabeça constantemente, tem orelhas doloridas ou vermelhas ou se elas estão com mau cheiro ou têm secreções, leve o cão ao veterinário. A maioria das infecções desse tipo é causada pela falta de circulação de ar e ocorrem mais comumente em raças de orelhas pendentes ou peludas. O ambiente úmido, quente e escuro é o lugar perfeito para que as bactérias e fungos cresçam. Captando os primeiros sinais, a infecção de ouvido do seu cão estará logo sob controle, prevenindo complicações mais sérias, que podem levar à perda de audição.

As orelhas dos cães são alvos perfeitos para mosquitos. As picadas recorrentes podem causar dermatite, que deixa as orelhas com crostas e propensas ao sangramento. Para manter seu cachorro livre de coceiras, aplique um repelente de insetos seguro para animais nas orelhas dele, antes de sair.

Se o seu cão agita freqüentemente a cabeça e as patas perto das orelhas, mas não há sinais de infecção, ele pode estar incomodado com ácaros da sarna de ouvido. Eles invadem o canal auditivo e alimentam-se de fragmentos de pele. Um sinal que denuncia a sarna são os fragmentos escuros, que se parecem muito com grãos de café. Os ácaros de ouvido são muito comuns em filhotes e em cães jovens. Isso porque esses ácaros se espalham facilmente e os filhotinhos gastam muito tempo um em cima do outro, enquanto brincam e dormem. Se você tem outros cães e gatos em casa e um deles começa a ter sarna de ouvido é melhor fazer o tratamento em todos eles. A maioria dos remédios seguros e eficientes está disponível somente com seu veterinário. Então, não espere para entrar em contato.

É claro que a velha e boa prevenção é a coisa mais importante que você pode fazer pela boa saúde da orelha de seu cão. Mantenha-as limpas, secas e livres de objetos e substâncias estranhas. Coloque bolas de algodão nos ouvidos do cachorro durante o banho (se ele aceitar) para manter a água fora do canal auditivo. Seque as orelhas quando o banho terminar. A maioria dos cães ama nadar, então esteja certo de que suas orelhas estão limpas e secas após um mergulho. Quando se fala em cuidados do ouvido, um pouco de prevenção vale mais a pena do que uma grande cura.

 

Olhos

Verifique os olhos de seu cão diariamente e limpe qualquer substância seca dos cantos usando uma bola de algodão umedecida. Veja se os olhos estão vermelhos, lacrimejantes ou com secreção. Os problemas dos olhos que não desaparecem em 24 h devem ser tratados por um veterinário. Os problemas de olhos que afetam os cães são lacrimejamento excessivo, geralmente causado por alergias, infecções, machucados ou irritação; conjuntivite, inflamação da conjuntiva, membrana que contorna a pálpebra, e objetos estranhos.

O lacrimejamento é comum em raças pequenas, como os poodles. Se os olhos de seu cão parecem lacrimejar excessivamente, deixe que seu veterinário dê uma olhada, para determinar qual é o problema e como tratá-lo. Entretanto, em alguns cães as lágrimas não parecem ter causa aparente.

Mesmo o lacrimejamento normal pode causar manchas escuras embaixo dos olhos, especialmente em cães com pelagem branca ou clara. Para manter essas manchas sob controle, lave a área embaixo dos olhos freqüentemente, usando água morna e algodão. Certifique-se de ter aparado cuidadosamente os pêlos manchados. Não use sabão perto dos olhos, pois pode causar uma úlcera na córnea.

Uma quantidade anormal de secreção no canto dos olhos ou uma aparência avermelhada na conjuntiva são sinais de conjuntivite. Essa doença é comum em cães que colocam a cabeça para fora da janela do carro ou passam grande tempo do lado de fora, quando o tempo está ventando ou com muita oeira. Em casos mais brandos, cura-se sozinho. Se o problema persistir, leve seu cão ao veterinário para se tratar.

Os cães passam a pata nos olhos para limpá-los, embora a maioria dele não seja tão meticulosa quanto os gatos. No entanto, se o cão estiver passando a pata continuamente nos olhos ou entortando-os, ele pode estar com um corpo estanho. Examine-os em um cômodo bem iluminado, para que você não deixe passar. Para ter uma visão melhor, puxe para baixo a pálpebra inferior e para cima a superior. Se apenas um olho parece ter sido afetado, compare-o ao outro para ver como diferem. Se você não conseguir achar nada ou não conseguir remover o objeto, leve o cão para tratamento no veterinário.

 

Dando banho

Os cães não precisam de banho com freqüência – só quando estão sujos ou fedorentos. No entanto, é uma boa idéia acostumar seu cão ao processo do banho enquanto ainda é jovem e aberto a novas experiências. Se você apresenta a hora do banho como uma atividade divertida e confortável, será fácil executá-la quando ele crescer e pesar 50 kg.

Mais uma vez, siga o lema dos escoteiros: “sempre alerta”. Você deixou tudo de que precisa em um local de fácil alcance antes de você começar com a água? Escova, bolas de algodão, xampu e toalhas. Também coloque uma esteira de borracha na parte de baixo do tanque ou da banheira para que seu cão não escorregue e deslize. Então, encha-a com água morna, não quente.

Agora é hora de colocar o cão. Escove-o criteriosamente, da pele para fora, para remover embaraços e pêlo solto. Os embaraços e os nós se tornam piores quando molhados. Sendo assim, esteja certo de que os removeu antes. Coloque bolas de algodão confortavelmente, mas não profundamente, nas orelhas do cão, para evitar a entrada de água e sabão.

Coloque seu cão na água, segurando-o com cuidado, mas firme. Molhe-o da cabeça para baixo, estando certo de que a água não atinge os olhos e os ouvidos. Não mergulhe o cão. Aplique um xampu especialmente formulado para cães. Nunca o seu xampu, pois o pêlo do cachorro cobre o corpo todo, não só a cabeça. Sendo assim, a dose dos ingredientes pode ser demais para ele. Agora, cubra com espuma, fazendo o xampu descer e atingir a pele. Se você está banhando um filhote com um xampu anti-pulgas, verifique se é adequado para cães da idade dele. Sempre leia e siga cuidadosamente as instruções da embalagem. Evite que o xampu caia nos olhos e nos ouvidos.

Continue falando com seu cão durante o banho, acalmando-o e dizendo como ele é um bom menino, mesmo que ele esteja tentando sair da banheira. Enxágue-o completamente, de novo usando água morna. Tenha um cuidado especial para não cair xampu nos olhos e orelhas dele quando enxaguar a cabeça. Tire o cão da banheira, diga que ele é um bom menino e seque-o com uma toalha, até que fique úmido. Se está quente e com sol, você pode deixar o cão se secar sozinho em um canil, cercado ou em qualquer área delimitada e ventilada. Continue esfregando-o com uma toalha seca para acelerar o processo. Se a secagem ao sol não é possível, secadores para animais de estimação estão disponíveis à venda para o uso em casa. Do contrário, você pode usar um secador de cabelos comum (se seu cão não ficar assustado com ele) em uma velocidade baixa e temperatura morna, para acabar de secá-lo. Nunca use um secador no modo quente ou rápido e evite colocar o equipamento muito perto do cão. Mantenha o animal em uma área morna, livre de ventanias, especialmente se o tempo estiver frio, úmido ou com vento.

Para manter seu cão limpo e cheiroso após o banho, escove-o regularmente: a cada semana para cães de pêlo curto e diariamente para cães de pelagem longa ou pesada. A escovação remove os pêlos mortos, sujeiras, parasitas e distribui o óleo da pele para manter a pelagem do cão brilhosa e bonita. Se você faz o banho e a escovação serem processos agradáveis, especialmente com filhotinhos, será muito mais fácil no futuro.

 

O toque profissional: quando procurar um arrumador

Idas regulares a um arrumador profissional são a alternativa mais apropriada para o dono ocupado. Alguns cães precisam de muita manutenção e, de qualquer forma, não importa quanto de tempo vago você tenha: pode ser melhor que um arrumador profissional cuide de pelagens longas, grossas ou pesadas. Outros donos gostam de fazer o trabalho pesado e mantêm sua interação com o cão apenas por divertimento e aprendizagem. Um arrumador profissional também pode achar manchas incomuns, inchaços, protuberâncias ou até mesmo machucados que você pode não ter visto embaixo de todo aquele pêlo.

Um cão cuja pelagem está cheia de nós ou imunda precisa de cuidado profissional. Retirá-los é um processo delicado, que leva muito tempo, e os erros podem resultar em machucados. Em casos mais graves, os cães têm que ser completamente tosados. O toque profissional também é obrigatório para exposições caninas. As condições para o banho são bastante rígidas: a pelagem dos terriers deve preferivelmente ser arrancada na tosa, por exemplo. O trabalho de um amador não colocará o cão em sua melhor forma.

Filhotes – Cuidados Importantes

A maioria das pessoas adota cãezinhos ainda bem novos… Mas será que todo
mundo sabe como cuidar corretamente desses filhotes?

Aqui temos algumas dicas pra não errar com o seu cachorrinho:

A primeira coisa a se fazer, é ter consciência de que é difícil para um
filhote, se separar da mãe. Geralmente a partir dos 45 dias de vida você já pode
separá-lo, mas ajude-o a superar. Deixe um objeto pessoal seu com ele na caminha
ou casinha. Pode ser uma roupa, um sapato velho, qualquer coisa que tenha seu
cheiro. Isso o ajuda a não sentir-se sozinho, e o acalma. Provavelmente, ainda
assim, ele irá chorar durante a noite, mas logo se acostuma. Tenha
paciência.

Leve o filhotinho ao veterinário regularmente, para que ele possa te orientar
sobre quais as vacinas o cãozinho deve tomar, e o intervalo entre elas. A
vacinação é muito importante nos primeiros meses de vida, então faça o possível
para deixar todas em dia.

É importante que ele seja vermifugado logo, para que seu crescimento não seja
comprometido. O filhote deve ser desverminado com vermífugo líquido com 30 dias
de vida, e a desverminação deve ser repetida a cada 30 dias, até completar 6
meses. Depois disso, converse com o veterinário para que ele te oriente sobre os
intervalos entre cada desverminação. Geralmente, é recomendado dar algum
vermífugo ao cachorro a cada 3 meses.

A partir de 45 dias de vida, você já pode começar a dar banho e ração para
seu filhote. Banhos são sempre com sabão de côco ou shampoo neutro. Use sempre
água morna, e coloque algodão nos ouvidos, para evitar a entrada de água. Nunca
dê banhos com shampoos anti-pulgas antes dos 6 meses, você pode intoxicar seu
cão.

Filhotes até os 3 meses devem comer 4 vezes ao dia, e a partir do 4º mês,
você pode dar ração 3 vezes ao dia. Mesmo que o filhote rejeite a ração nos
primeiros dias, insista. Não tente dar nenhum tipo de comida, uma hora ele vai
acabar comendo a ração e se acostumando com isso. Nunca dê ração de cão adulto,
essa ração deve ser dada apenas quando o cão completar 1 ano.

Deixe os potes de água e ração próximos à caminha dele, e coloque algumas
folhas de jornal um pouco longe, para fazer as necessidades.

Dica: Deixe sempre uma folha de jornal com xixi por baixo das outras limpas,
assim ele se acostumará com o cheiro e fará as necessidades sempre no mesmo
lugar.

Importante: O cão só pode começar a sair de casa quando estiver com as
vacinas em dia!

FONTE: VETERINÁRIO WILSON GRASSI (http://wilsonveterinario.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1030:como-cuidar-dos-filhotes-de-cachorro&catid=6:noticias&Itemid=10)

Calor excessivo pode levar cães à morte

Se você anda incomodado com o calor lá fora, imagine o seu amigo de quatro patas com toda aquela camada de pelos? “Os cachorros não transpiram pela pele como os humanos”, explica o diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care, Marcelo Quinzani. “Eles perdem calor pela respiração e transpiram pelos coxins plantares (localizados na sola das patas) e pelas narinas. Como essa área é muito pequena em relação à extensão do corpo, ela é insuficiente para manter a temperatura corpórea próxima da temperatura normal”, explica o diretor clinico do Hospital Veterinário Pet Care, Marcelo Quinzani.

Segundo o médico veterinário, quando o cão é exposto a altas temperaturas, ou a estresses e atividades intensas em dias muito quentes, sua temperatura interna pode ultrapassar os 40ºC e é aí que o cachorro pode apresentar hipertermia, quadro que pode provocar convulsões, diarréia, vômitos e levar à morte.

Os sintomas da hipertermia são: respiração ofegante, hipersalivação, temperatura acima de 40°C, mucosas avermelhadas, taquicardia, arritmias cardíacas, vômitos, muitas vezes com sangue, diarréias também com sangue, manchas e hematomas dispersos pelo corpo, alterações mentais, convulsões, tremores musculares, dificuldade de locomoção e falta de coordenação motora, diminuição ou ausência da produção de urina, coma e parada cardiorrespiratória. “A hipertermia é uma condição gravíssima que requer tratamento médico imediato. Uma vez que os sinais clínicos desse quadro são identificados, existe um tempo extremamente curto para ser revertido, diz Quinzani.

Independente da raça, todos os cães estão predisposto a essa patologia se submetidos a condições ambientais desfavoráveis de calor e umidade. Porém, cães com focinhos curtos como bull dog, boxer, pug, lhasa apso, shi tsu, boston terrier entre outros, estão mais suscetíveis ao problema. “Anatomicamente já são desfavorecidos de um aparelho ‘refrigerador’ adequado”, explica o veterinário.

 

Emergência: saiba como proceder

Aos primeiros sinais clínicos de hipertermia o animal deve ser retirado imediatamente do ambiente quente, colocado sob refrigeração ou ventilação adequada. “Molhar o animal com um borrifador e toalhas frias também auxilia no processo de refrigeração. Porém, não se deve submergir o animal em água fria, pois isso leva a vasoconstrição periférica dificultando ainda mais a dispersão de calor. É preciso também procurar imediatamente um médico veterinário”, diz Quinzani.

 

Confira as dicas preventivas:

1. Evite passeios e esforços físicos em dias quentes e úmidos.

2. Não deixe o animal preso dentro do carro, mesmo com vidros abertos.

3. Não deixe o animal em ambientes fechados ou sem acesso à sombra e água fresca.

4. Não dê banhos com água quente e secadores quentes no verão.

5. Não submeta o animal a situações de estresse psicológico que o deixe ofegante por medo ou insegurança.

6. Evite esforços ou condições desfavoráveis para animais obesos ou que tenham anatomicamente alguma dificuldade respiratória.

7. Evite a contenção forçada do animal e uso de focinheira em ambientes quentes e fechados.

O Bom e Velho Vira-Lata

Meu primeiro cão foi um vira-lata chamado Toy! Inclusive, foi assunto de um dos meus primeiros posts aqui no Blog. Desde então, o bom e velho vira-lata oscilou entre a preferência das pessoas, mas nunca perdeu algumas das suas principais características: vigor, fidelidade e uma cara de cão caído da mudança, capaz de conquistar qualquer um.

Hoje li uma reportagem no site UOL e achei muito interessante porque trás um pouco mais de detalhes a respeito dessa “raça” (apesar de não ter uma raça definida) e mostra que ele está voltando com força total.

Vira-latas são os cães preferidos dos paulistanos

FLÁVIA MANTOVANI
ROBERTO DE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

Eles não são puros e têm histórico de passagem pelas ruas. Seu nome é associado ao lixo e aparece no dicionário como sinônimo de “sem classe, sem vergonha”. Ainda assim, e talvez com a ajuda de uma abanadinha de rabo, os vira-latas conseguiram driblar a má fama: estão na moda e fazem companhia a milhares de moradores da cidade, de todas as classes sociais.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, é esse o cão mais comum na casa das famílias paulistanas. O levantamento entrevistou 613 pessoas, numa amostra representativa da população de São Paulo com 16 anos ou mais.

Por ser fruto de uma mistura de raças, o vira-lata tem características muito mais variadas do que qualquer cachorro puro. Mas, na aparência física, é possível identificar um perfil médio: a maioria pesa de 10 kg a 20 kg, tem pelo curto e cor escura –é o pretinho básico, como chamam alguns protetores de animais.

Para o zootecnista e especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, autor do livro “Adestramento Inteligente” (ed. Saraiva; 240 págs., R$ 31,40, 2009), o porte médio ajuda a sobreviver nas ruas. “Ele não é tão grande a ponto de demandar muito alimento nem tão pequeno a ponto de ser indefeso em brigas e perder na competição com outros machos para cruzar”, explica.

O comportamento também muda substancialmente de um vira-lata para o outro, mas aqueles que passaram pela rua costumam ser mais espertos do que os criados em casas ou apartamentos. “O animal que passou pela rua teve que se virar, ou não estaria vivo”, diz o veterinário Wilson Grassi, diretor da Anclivepa (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) e gerente-executivo do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.

Segundo Alexandre Rossi, a mistura de raças costuma “produzir” um cão com competências mais equilibradas. Enquanto um animal puro pode ter mais aptidão para guarda e outro para companhia, por exemplo, o vira-lata teria uma média entre as habilidades –o que também o torna menos previsível, uma desvantagem na opinião de algumas pessoas.

A genética explica também por que os vira-latas, conhecidos como SRD (sem raça definida), são mais resistentes a doenças. Existem problemas de saúde determinados por genes recessivos, que devem estar presentes em dupla para que as complicações se manifestem.

Enquanto os animais mais puros têm mais tendência de portar os dois genes, estes acabam sendo “diluídos” com a mistura de raças.

Um problema que vem aumentando em cães de raça nos últimos cinco anos, por exemplo, é a alergia, segundo Roberto Monteleone, veterinário de pequenos animais há mais de 30 anos. “Há criadores que cruzam animais aparentados. Muitos nascem com imunodeficiência e pegam infecções com facilidade. No caso do vira-lata, há uma chance muito menor de que isso aconteça.”

Outra explicação é a própria seleção natural. Quando o cachorro é de raça, acaba procriando mesmo não sendo muito saudável, pois recebe mais cuidados. Já na rua só procriam os vira-latas mais fortes, que sobrevivem às condições adversas e, por isso, geram filhotes mais resistentes.

Isso não quer dizer, no entanto, que eles precisem de menos cuidados do que um cão de raça. “Tem que vacinar, levar ao veterinário, dar boa alimentação. É um cão como outro qualquer”, alerta Cida Lellis, presidente da ONG Clube dos Vira-Latas.

  Johnny Duarte/-  
Revista sãopaulo - matéria sobre vira-latas
Carlota Joaquina, 1, moradora do Morumbi, foi adotada em uma feira de animais

São Paulo

Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de São Paulo, há 2,5 milhões de cachorros domiciliados na cidade. O número vem crescendo, em média, 6% ao ano, e estima-se que, em 2020, atinja 4,5 milhões. Os dados são de uma pesquisa que vai virar livro, feita pela USP de 2007 a 2009 em parceria com o CCZ e com regionais de saúde. Foram visitados quase 12 mil domicílios.

O professor de veterinária Ricardo Dias, autor do estudo, diz que não surpreende saber que o SRD é o cão mais comum. “Vimos que só 26% dos cachorros foram comprados. O restante foi adotado”, diz.

A adoção dos sem raça, aliás, está virando moda entre paulistanos de classes mais altas, e agora eles dividem espaço com primos “ricos” como poodles, lhasas e labradores. “Os animais de rua não ficam mais só na periferia. Temos visto muito mais vira-latas nos parques, junto com os cães de raça”, afirma a veterinária Cíntia Tonelli, fundadora da ONG Vira-Lata É Dez.

Em 2003, quando foi criada, a entidade conseguia doar quatro cães por mês –hoje são cerca de 16. O problema é que eles também têm tido mais animais para recolher.

Desde 2008, não é mais permitido, no Estado de São Paulo, sacrificar animais apenas por estarem na rua -a eutanásia só pode ser feita em casos extremos, de doenças incuráveis ou infectocontagiosas. Os animais recolhidos pelo CCZ ficam disponíveis para adoção –são doados, em média, 50 por mês.

A ONG Clube dos Vira-Latas é outra que aumentou as doações: eram cerca de dez por mês há cinco anos e agora são entre 40 e 50. “As pessoas estão acordando para o problema dos animais abandonados na cidade e vendo que o bicho não precisa ser comprado e ter raça”, diz Cida Lellis.

Mas os adotantes ainda procuram perfis específicos: filhotes, de porte pequeno, peludinhos e que não sejam pretos, justo o contrário da maioria dos cães que estão nos abrigos. Casais jovens, com ou sem filhos, são os adotantes mais comuns na cidade de São Paulo.

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